terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

faraway, so close (ainda)

Da janela do meu quarto dá pra ver o pé de romã do jardim. Às vezes acordo e ouço os passarinhos que vêm bicar as romãs da árvore. Quando me vem assim esse não pensar em nada, penso que os passarinhos são os que mais se beneficiam do pé de romã da minha casa. Mal nasce e cresce uma fruta, lá vêm eles, ficam bicando a fruta até romper a casca pra poderem bicar os caroços, ou sementes, não sei bem. Penso assim que a romã é uma fruta estranha, tem muita casca e umas sementes rosadas dentro. Agrupadas. Não tem polpa e nem quase nada, só as sementes rosadas. E muita casca. Pra mim as sementes não têm muito sabor. Talvez para os passarinhos tenham, eles parecem gostar muito das sementinhas. Já a casca é poderosa medicina pra curar dor de garganta. Sempre passa muita gente em frente de casa e sempre que tem romã, pedem pra gente uma fruta. Pra fazer chá. É “tiro e queda”, dizem. Da casca é que se faz o chá. Casca seca. É um chá bem amargo, mas bastante bom, muito bom mesmo pra acabar com a dor de garganta, não precisa nem engolir, basta fazer gargarejo (palavrinha feia, eita!!!), as sementes só comi em dia de ano novo. Dizem que tem que comer sete, pra trazer sorte, o número acho que varia de acordo com a tradição, sei não. Estes são os usos da romã que conheço. Que a gente diz. De qualquer modo não conheço ainda ninguém que goste muito da fruta. Só os pássaros mesmo. Uns sabiás bem grandes que aparecem de vez em quando lá no pé. E também um beija-flor, este é mais raro, embora o pé tenha muitas flores. Só que são umas flores fechadinhas, alaranjadas, bonitinhas, nada de muito especial, sempre penso que o beija-flor é um pássaro muito exigente, gosta de flor bem vistosa. Quem sabe eu esteja enganada. Acho que fiquei pensando na utilidade do pé de romã porque não acho que ele seja bonito, não é como um ipê roxo ou amarelo que são minhas árvores preferidas. Daí pensei que se uma árvore não é assim bonita, de graça, tem que ter uma função. Mas não gosto deste pensamento utilitário. Porque as árvores podem simplesmente ser, sem ter ou dever ter uma coisa qualquer pra oferecer. Talvez eu esteja enganada. Mas são pensamentos que vêm e vão, quando fico assim, sem pensar em nada.