Desta vez Josefina andava pelo cenário decomposto do parque de diversões. As últimas cenas ali gravadas vieram-lhe à mente junto com o verso da canção usada na trilha sonora.
“Why does my heart feel so bad?”
Quando tudo acabaria? Estava tão cansada. Mentia para si mesma que era uma personagem importante, que seria reconhecida, se tornaria famosa. Mas era só uma figurante que passava como sombra... talvez em muitas cenas... um fantasma desconhecido que recitava um verso estranho. Numa noite estranha. Um mercado estranho. E as luzes florescentes, coloridas e embriagantes a deixavam desnorteada. Charles talvez tivesse razão, faria sempre essa parte em todos os textos em todos os filmes se tornaria cantora de um bar noturno sujo que ninguém se importa não teria glória nome ou dinheiro. Repetia-se isso todos os dias antes de todos os ensaios inacabáveis inacabados.
“Why does my soon feel so bad?”
A música e o verso acompanhavam seus passos onde quer que ela caminhasse. A sensação era de desconsolo solo sol... um estrondo. Um gato saltava sobre um latão de lixo. Máscaras e perucas coloridas de palhaços surgiam de dentro de um saco preto rasgado, posto ao lado do latão. Apanhou uma delas. Verde clara. Vestiu. A alma cada vez mais triste.