quarta-feira, 13 de julho de 2011

menina da banda de além...

era uma menina linda
e eu a amava incondicionalmente
não sei o que em mim mudou
não me acho mais neste amor.

a nossa canção preferida poderia ter sido esta:

"o que é que eu vou fazer agora
se o teu sol não brilhar por mim
num céu de estrelas multicoloridas
existe uma que eu não colori

sorte, sorte na vida, filhos feitos de amor
todo verbo que é forte
se conjuga no tempo
perto, longe o que for

você não sai da minha cabeça
e minha mente voa
você não sai, não sai, não sai, não sai..."

nós nunca tivemos uma canção preferida.

mas os filhos dela foram feitos de amor.




terça-feira, 31 de maio de 2011

a única coisa que não existe é o esquecimento...

E todo o resto existe, todo o resto é representável.
A vida escapa, você a atravessa e ela escapa.
A morte escapa, te agarra e foge.
As cidades escapam, você as atravessa e elas escapam.
E você também escapa, não pode narrar-se, porque também você escapa.
A mão, ao invés, corre sobre o papel, guia a caneta ou o pincel, a vida é fugidia, mas lhes resta a sua imagem.
A música é tocada, as notas desaparecem no ar. Mas resta a partitura. Está aqui, diante de vocês. Vocês a veem? Está traçada com linhas precisas, legíveis, decifráveis: aguarda ser interpretada.
Toquem-na. Cada um que a toque com os seus instrumentos.
Vocês tem um violoncelo que trazem atrás de si como uma querida esposa?
Tem uma flauta que seja o seu companheiro de escola?
Ou uma gaita de fole para colocar sobre as costas, como se carregasse uma criança?
Toquem esta partitura do jeito que quiserem, interpretem a música do jeito que gostam.
Não tem nenhum instrumento? Tentem assobiar. Não sabem assobiar?
Tentem cantarolar pra vocês mesmos, saiam na grande praça desta cidade levando nos olhos a partitura que viram, transformem estas imagens em um som que seja só de vocês, interpretem-no com a sua música, voltando para casa, mesmo que estejam sem voz, façam-no, pelos intímos dons que não elenco, pela música, misteriosa forma do tempo.
O dia entra na noite. Não foi embora.

De Racconto dell'uomo di carta, de Antonio Tabucchi.
é só um fragmento, o último, de um dos 'contos" que mais gostei até agora, e que traduzo, assim de brincadeira, porque este trecho me tocou profundamente.
O livro se chama Racconti con figure, e quem me mandou lá de longe foi um outro Antonio, que não está aqui agora, mas que sempre penso com carinho.
Um dos dons que eu elencaria, se preciso fosse, seria a poesia que permanece, onde quer que a gente vá, e que nos alcança, por mais que a gente também escape.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

os escafandristas virão...

duas canções, duas línguas, uma imagem e uma tarde, a de domingo...





"Ho deciso di perdermi nel mondo,
anche se sprofondo,
lascio che le cose mi portino altrove
non importa dove".
Morgan.

"Não se afobe, não, que nada é pra já

O amor não tem pressa,

ele pode esperar em silêncio

Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você..."


terça-feira, 19 de abril de 2011

poema bonitinho para as horas de descanso

meu poema preferido da Adriana Falcão.

Solidão
é uma ilha com saudade de barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.
Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando sempre faltam 5 minutos para o que quer que seja.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada em especial.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é Fevereiro...
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.
Perdão é quando o Natal acontece em outra ápoca do ano.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
Desatino é um desataque de prudência.
Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Emoção é um tango que ainda não foi feito.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... também não. É um "desadoro"... Uma batelada? Um exame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor não sei explicar...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

arrivista

O fatigado caminhante sentenciado a caminhar e não fazer parte nunca de lugar nenhum ainda quer fazer parte, mas desistiu da esperança de que fazer parte pode ser atingido por meio da universalidade. Já não acredita em longas vias indiretas. Sonha agora com atalhos. Ou, ainda melhor, sonha em chegar sem viajar, ir para casa sem realmente sequer sair.

domingo, 27 de março de 2011

retirada estratégica

Passei duas semanas esperando o meu amor voltar de viagem,
quando voltou, nem veio falar comigo, foi passear de mão dada com outra.
me pareceu até um versinho daqueles que eu colecionava quando era criança.
meu amor, a tua ausência desesperadamente me fez pensar que te ver é igual a não te ver
sempre fui muito mal nas lições de matemática: te ver = não te ver = vazio de afeto.
é por isso meu amor que vou embora, mas antes de ir vou te cantar só mais esta canção:

Eu vou te dar a decisão
Botei na balança
E você não pesou
Botei na peneira
E você não passou
Mora na filosofia
Pra que rimar amor e dor.

terça-feira, 22 de março de 2011

desejo de jardim

sonhei uma casa com jardim, e eu estava cuidando das flores.
aprendi a cuidar das flores, me parecia tão simples, na verdade sempre soube cuidar das flores.
sempre vivi esta vida de jardineiro.

o meu desejo de jardim vem do meu desejo mais profundo de não querer passar a vida toda nessa caça interminável de cada vez mais intensas sensações e de cada vez mais inebriante experiência. de ser mais um corpo entre corpos.
muitos corpos, que eu não reconheço.
sem nenhuma responsabilidade,
de muitos encontros sucessivos que não deixam nenhuma marca,
de máscaras sucessivamente usadas que escondem identidades que não sei quais são,
todo mundo tentando criar a sua, sabe-se lá qual, pra quem...
minha vida passando numa série de episódios, os quais nem me lembro.

sei que as flores não permanecem em sua beleza, mas a certeza do retorno da primavera me consola, e ao menos por enquanto, desejo alguma certeza.


quarta-feira, 9 de março de 2011

The torture never stops.

O dia dele.
Marte em oposição diz: por enquanto fique ali, quieto por algum tempo, enquanto ouve rangidos estranhos ao redor das orelhas e alguém passa sobre as plantas dos teus pés uma espécie de ralador. Marte diz: adivinha de quem são as cinco mãos com luvas de borracha que te acariciam.Torture never stops.

O dia dela.
A mente continua sintonizada nas ondas de um ideal country-house, com passarinhos de vários tipos que te fazem companhia e as cores da primavera pintando os pensamentos como em um quadro de Jan Brueghel. Os teus seios se oferecem com generosidade a lactantes de todo tipo. Torture never stops.

(das minhas leituras do horóscopo da Vogue).

segunda-feira, 7 de março de 2011

retalhos

I Ching de hoje.

O caminho é plano e fácil, um homem tranqüilo e solitário, que se mantenha firme e correto, vem ao seu encontro trazendo boa sorte. O trilhar do fraco sobre o forte não é perigoso aqui, pois isso se dá em meio a uma alegria livre de arrogância.

À espera.

Todos os sonhos podem parecer doces, eternos ou, quem sabe, duráveis, embora os transtornos causados pelo convívio social sejam quase que a totalidade das relações. Nada de esperança.

Amizade: uma pessoa deve seguir a outra ou fazer-se seguir por ela, baseando o êxito de ambas as atitudes no exercício da flexibilidade e da sinceridade, esta última entendida como a capacidade de confiar a outros nossas intenções. Mesmo que sejam as segundas.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

desintegração.

I Ching de hoje: Montanha sobre terra.

“Esta é a época do avanço dos inferiores, que estão prestes a expulsar os últimos fortes. Sob tais circunstâncias, decorrentes do ciclo em andamento, não é favorável empreender coisa alguma. A atitude correta nestas épocas adversas é manter-se a quietude, pois não se trata aqui de uma iniciativa humana, mas das condições do ciclo em vigor. Estes ciclos, seguindo leis celestiais, alternam o aumento e a diminuição, a plenitude e o vazio. Não é possível contrariar as condições do tempo e por isso, evitar toda ação não é covardia, mas sinal de sabedoria”.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Intermezzo

Estou lendo Uma mulher do Esterházy, um livro de contos sobre várias mulheres amadas e odiadas pelo escritor.
O primeiro conto tem seis palavras: "Há uma mulher. Ela me ama".
Todos os contos se chamam Uma mulher, como o livro.
O que mais gosto é a sensação de que todas as diversas mulheres são no fim sempre a mesma, como se todos nós fôssemos um e vários.

Ontem acordei às 6h da manhã com muita vontade de saltar do trem, abandonar o barco e por aí vai. Acordei desiludida, nenhuma esperança... aceitando só o que a vida me trazia, e me deixando levar pela correnteza... fui dormir levemente feliz, o dia todo foi tão dinâmico...

Hoje acordei dando pulinhos de alegria, muita esperança... vontade de dar bom dia pra todo mundo, esperando que todos retribuíssem... esperando esperando esperando...
todo dia é sempre igual e sempre diferente.
todo dia eu sou sempre igual e sempre diferente.
todo dia é o meu inferno e o meu céu, tem jeito não.



domingo, 30 de janeiro de 2011

transfiguração


tomando emprestado um pouco da inquietude do Riobaldo:
eu careço que o sim seja sim e o não seja não
pra mim, o Bem o Mal estão ligados a nossa (im)possibilidade de dizer Sim e/ou Não.

transfiguração é um título emprestado do Cordel do Fogo Encantado, (que acabou meu Deus tudo acaba!)
e quantas vezes ouvi e cantei de mim pra mim
"Vou saquear a tua feira
rasgar a capa do teu peito
encher de arame a tua boa
botar garrancho no teu pé"
a melhor expressão do quanto é vasto o espaço entre sim e não...

os quatro elementos

Lendo Bachelard descobri que meu elemento nos sonhos é a água...
procurei neste infindável mundo virtual um resuminho do significado dos elementos de acordo com Bachelard, encontrei este abaixo, de algum trabalho de conclusão de curso em Psicologia...
o príncipio Yang e Yin estão ligados aos elementos e pra quem lê o I Ching, ajuda a se aproximar um pouco do significado do livro, a mim me ajuda... (embora o que mais me seja atraente nesta leitura é a capacidade de ir além de toda e qualquer racionalização possível...)

No zen-budismo, os elementos tradicionais são representados como as quatro qualidades que compõem a criação: luz (fogo), ar, fluidez (água) e solidez (terra). Ar e Fogo são ativos e auto-expressivos, estão ligados ao princípio Yang, estão associados à atividade e à leveza. Terra e Água são passivos, receptivos e auto-repressivos, estão ligados ao princípio Yin, e associados à gravidade e inércia – já que estão submetidos à gravidade.

Fogo - A ambivalência do elemento fogo é sublinhada por Bachelard: “Se tudo o que muda lentamente se explica pela vida, tudo o que muda velozmente se explica pelo fogo. O fogo é ultravivo. O fogo é íntimo e universal. Vive em nosso coração. Vive no céu. Sobe das profundezas da substância e se oferece como um amor. Torna a descer à matéria e se oculta, latente, contido como o ódio e a vingança. Dentre todos os fenômenos, é realmente o único capaz de receber tão nitidamente as duas valorizações contrárias: o bem e o mal. Ele brilha no Paraíso, abrasa no Inferno. É doçura e tortura. Cozinha e apocalipse. É prazer para a criança sentada ajuizadamente junto à lareira; castiga, no entanto, toda desobediência quando se quer brincar demasiado perto de suas chamas. O fogo é bem-estar e respeito. É um deus tutelar e terrível, bom e mau. Pode contradizer-se, por isso é um dos princípios de explicação universal”. O fogo é de maneira geral um elemento masculino (em oposição à água feminina), associado à energia vital, ao coração, à procriação, à iluminação espiritual e ao sol.

Água - Para Bachelard, a água é feminina, elemento transitório, é também “um tipo de destino essencial que metamorfoseia incessantemente a substância do ser”. Ligada à idéia de profundidade e maternidade, a água, é um dos elementos divinos manifestados, e vista como a matéria substancial para a formação de tudo aquilo que é vivo, a fonte original da criatividade e o símbolo universal da fertilidade e da fecundidade. No sentido psicológico, a água é o reservatório de toda a pulsão de vida”. Representa o reino da emoção profunda e das reações de sentimento, indo
desde paixões compulsivas e temores irresistíveis, até uma aceitação e um amor que abrange toda a criação. Em numerosos mitos de criação do mundo é a água fonte de toda a vida, assim como associada à idéia de dissolução e de afogamento. As “grandes águas” (mar, oceano) são símbolos do arquétipo da Mãe e através dele, do inconsciente mais profundo. Eminentemente perigosos (sempre arriscamos de ser engolidos e de entrar na morte ou na psicose) são também o depósito de todas as energias e de todas as capacidades de criação. No plano psicológico a água é o símbolo das camadas mais profundas do inconsciente onde habitam seres misteriosos. É o símbolo fundamental de todas as energias inconscientes.

Terra – Simbolicamente a terra é apresentada como princípio passivo (em oposição ao céu) feminina, obscura. O hexagrama k’uen do I-Ching é a “perfeição passiva”, e vincula o elemento às qualidades maternais, à submissão, doçura, firmeza calma e duradoura; humildade (húmus). Éo início e o fim, “do pó ao pó”, “a origem é o fim, como o fim é a origem; e o contrário da morte não é a vida, mas o nascimento: então, como o nascimento nos fez passar da vida verdadeira à vida sobre esta terra, a morte, é de fato, simbolicamente, um renascimento que nos faz acessar de novo à mesma vida real da alma”. É símbolo de fecundidade e regeneração. Da terra também os homens renascerão, como faz anualmente a vegetação, conforme os ciclos das estações. Palpabilidade, corporalidade, fecundidade.
A terra é “pesada e permanente, a terra tem forma e posição fixas. Não desaparece no ar por meio da volatilização, nem se adapta facilmente à forma de qualquer recipiente, ao contrário da água. Sua forma e localização são fixas.

Ar - Relacionado à energia vital, o domínio do ar é o mundo das idéias arquetípicas, que estão atrás do véu físico, da energia cósmica convertida em padrões de pensamento específicos. Está associado às linhas geométricas de força
que funcionam através da mente, á energia que modela os padrões das coisas que virão. O ar é de essência masculina, imprime um caráter de ligeireza e inteligência ativa. Associa-se ao vento, “o vento do espírito, à imagem do sopro que anima todas as coisas e participa da criação, é também a marca de um psiquismo ascensional para o qual tudo é movimento”. Bachelard declara que o ar é o meio próprio da luz, do alçar vôo, do perfume, a cor, das vibrações interplanetárias; é a via de comunicação entre a terra e o céu. Associa ao elemento o sonoro, o diáfano e o móbil; a sensação de alívio; a leveza, a claridade, a vibração; a liberdade.

sábado, 22 de janeiro de 2011

confucianas

Faço do desassossego de Soares, meu desassossego:

"E sou assim, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa: uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre..."

Na tentativa de sossegar, penso nas nove regras de Confúcio:

ver claramente o que vê;
escutar bem o que escuta;
manter na fisionomia um ar afável;
dignidade na sua atitude;
sinceridade no que diz;
ser diligente nos seus atos;
perguntar quando duvida;
quando encolerizado, pensar no que poderia fazer;
quando perceber a possibilidade de uma vantagem, pensar na justiça.


domingo, 9 de janeiro de 2011

meu amigo volte logo...

Queria te cantar uma canção.
ela diz assim: everybody hurts...

um dia já pensei que nem todos sofrem, mas todos sofrem, até o Michael Stipe, até minha mãe, até meu irmão, até o Lino, até o vizinho gentil que me diz todo dia com seu costumeiro sorriso tenha um bom dia...

hoje pensei que mais um ano chegou
também pensei que meus sobrinhos estão tão crescidos a cada dia que passa...
e o meu sobrinho diz o tempo todo: titia...
mesmo quando não quer nada, mas diz: titia...

o meu sobrinho tem menos de dois anos e eu não quero que ele sofra...
mas um dia ele acorda chorão, tem nada não, está num mal dia...
nem todos os dias dão certo...

e minha filha vai fazer 13 anos... tem dia que chega esgotada da escola, foi um dia difícil mãe, desconfio que sim...

até o Pessoa sofreu
ou fingiu que sofreu a dor que sofreu de verdade...

então vou continuar cantando esta canção,
mas vou cantar outra também
vou cantar: mas meu amigo volte logo
pensando que este amigo é o tempo da delicadeza
pensando que o meu jardim anda tão mal cuidado
pensando que sou tão frágil pra enfrentar todo esse vasto mundo
pensando que a leveza me ajuda a flutuar neste mundo de fardos pesados
pensando que 2011 pode ser um bom ano, apesar dos astros...
pensando que o Drummond pensaria na namorada uma hora destas...
na namorada que ele não teve tão cedo...

mas everybody hurts sometimes
mas é sometimes
mas é everybody

todo mundo deseja feliz ano novo, né?
vou desejar também, mas meu amigo volte logo...