terça-feira, 9 de dezembro de 2008

inferno possível...

a saudade
o medo
a tristeza
a dor
o prazer
e o medo, de novo.

a memória, meu maior inferno possível,
prisão e liberdade, o meu sempre, o meu mesmo e o meu nunca.

hoje sonhei que o passado vinha docemente me beijar,
me abraçou ternamente e de novo foi embora.
será que ele ainda há de voltar?

"Noites de Almirante" do Machado, mas sem ironia:
quando eu jurei era verdade.
a verdade do tempo, a verdade do presente.
o passado ou o futuro não existem.

"Existem duas formas de não sofrer. A primeira é facil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preserva-lo, e abrir espaço".
Italo Calvino, As cidades invisíveis.