uma aluna me perguntou outro dia o que eu andava lendo de bom,
como não estou lendo nada de bom, tenho lido pouco e em geral coisas ligeiras,
resolvi sugerir um livro que li já faz mais de um mês, talvez dois... um livro muito bom, dos melhores que li nestes últimos meses...
"dois irmãos" do Milton Hatoum, um escritor que ainda não está nos manuais escolares de literatura... (coisas de aluno!)
disse pra ela que era um livro fascinante porque tinha um encadeamento na história que prendia o leitor, toda vez que era obrigada a parar a leitura sofria um pouco porque queria saber qual era a próxima percipecia dos jovens protagonistas... não só as aventuras e conflitos são perturbadores, também a linguagem, muito simples e ao mesmo tempo muito trabalhada, cheia de palavras que designam coisas, um vocabulario muito concreto, regional, que traz em si uma força expressiva e caracterizadora da literatura do Hatoum...
foi o primeiro livro que li deste escritor e soube que ele tem mais outros dois se não me engano, e que já ganhou prêmios importantes pra literatura nacional...
a minha aluna está se preparando pro vestibular e leituras extra agora não ajudam muito, então ela me perguntou também o que eu achava de escritores como Machado, Guimarães Rosa, Clarice... bom, disse quais eram os meus preferidos dentre os romances destes, mas ressaltei que tenho lido ultimamente nada de muito canônico como Rubem Fonseca, Daniel Galera, e que o Hatoum foi uma grande descoberta, principalmente porque tenho veementemente me recusado a ler livros que sejam mais reflexão, estruturas, que historia propriamente dita...
isso porque tenho evitado algumas reflexões árduas e penosas... embora a saga dos dois irmãos seja motivo pra reflexão, acho que o mais importante é a questão do exemplo, é uma historia mítica e exemplar, e com uma perspectiva de inconclusão, como se a historia dos irmãos fosse só uma parte de uma historia maior, como se tudo continuasse andando, caminhando pra um ponto qualquer no horizonte, sem um final previsto ou mesmo pensável... mesmo quando o livro acaba.
acho que foi por isso que gostei.
segunda-feira, 17 de março de 2008
segunda-feira, 3 de março de 2008
men senãrá a reconocer que hay daños que te enseñam a crecer...
Alguns anos atrás, li um pequeno tratado sobre a felicidade, de um filósofo francês chamado André Comte-Sponville. O tratado se chama A felicidade, desesperadamente. O título talvez lembre um livro de auto-ajuda, mas a grande questão do texto é esta vírgula. O tratado retoma a doutrina epicurista sobre o bem viver, a filosofia como instrumento para uma vida melhor. O texto nos faz pensar sobre o “des-esperar” uma idéia interessante pra se alcançar a felicidade ( a felicidade em ato, ou seja, uma felicidade que não espera nada). É um resumo grosseiro, mas o filósofo diz que só des-esperando podemos atingir a felicidade porque “só esperamos o que não temos, e por isso mesmo somos tanto menos felizes quando mais esperamos ser felizes”. Ou, trocando em miúdos, buscamos a tal da felicidade sempre onde ela não está. Isso me faz lembrar dos desenhos animados que via antigamente, sempre tinha um personagem que ia de um lugar a outro buscando alguma coisa inalcançável, mas nunca encontrava, o objeto mágico estava sempre num outro lugar, para o qual ele se dirigia e enfim continuava a busca. Lembro de sempre esperar pelo último episódio quando ele por fim encontraria o tal objeto. De alguns desenhos nunca soube se fizeram ou não o último episódio. Às vezes acho que nossa vida se parece com estes desenhos animados de antes. E não sabemos mesmo quando vai passar o último episódio e se neste vamos encontrar o nosso objeto mágico que faz parte da nossa busca incessante pela felicidade.
Recentemente reencontrei dois amigos que não via há um bom tempo. Os dois casados, com filhos, trabalhando, com problemas, com alegrias, com tristeza, vivendo. Não sei bem se vivendo desesperadamente, mas vivendo. Cada pessoa constrói seus sonhos ou então deixa de sonhar conforme bem entende. Tenho amigos que estão longe, que não sei se vou ver qualquer dia destes, nem sei também se quero ver, se eles querem me ver. Alguns perdi deliberadamente, outros me perderam deliberadamente. Alguns partiram, outros vão partir em breve. É a dinâmica da amizade, da vida também. Não se pode deter o tempo. Sei que cada pessoa que passa pela minha vida me deixa algo, um presente, um carinho, uma alegria, uma tristeza, uma lembrança. Talvez eu também deixe algo de mim neles, mas isso não posso saber. O que sei é que sempre pensei na amizade como troca. Só agora pensei numa outra condição pra amizade. Troca é uma idéia muito utilitária da qual quero me desapegar, cada dia mais e mais. Talvez porque a gente se canse de dar e de esperar receber. E a vida passa. E como me disse alguém algum dia tudo que a gente resolve dar é porque quis, algumas vezes as pessoas pedem, é certo, mas algumas vezes é gratuito. Deveria ser sempre.
Acho que tem razão o tal filósofo epicurista quando diz que o desesperar tem mais sentido de ser na busca pela tal felicidade, que em filosofia, tem a ver com a busca da verdade, da sabedoria. Só que é tão humanamente difícil não criar expectativas, não pedir nada, se desapegar, ser gratuito. Sempre criei muitas expectativas e só depois dos 29, com o retorno de saturno, decidi tentar não criar mais nenhuma. Tenho feito exercícios de paciência, tenho pensado na morte, tenho ouvido mais as pessoas, tenho me esforçado mais pra ser mais amiga gratuitamente. Acho que tenho aprendido com as pessoas que não somos assim tão indispensáveis e especiais a ponto de achar que a nossa morte desestruturaria o universo. E que a perda é parte intrínseca ao nosso processo de crescimento e amadurecimento...
Agora chega. Quero escrever sobre coisas mais alegres.
Ps. Estou relendo o tratado, tem pontos que ainda não entendi muito bem...
Recentemente reencontrei dois amigos que não via há um bom tempo. Os dois casados, com filhos, trabalhando, com problemas, com alegrias, com tristeza, vivendo. Não sei bem se vivendo desesperadamente, mas vivendo. Cada pessoa constrói seus sonhos ou então deixa de sonhar conforme bem entende. Tenho amigos que estão longe, que não sei se vou ver qualquer dia destes, nem sei também se quero ver, se eles querem me ver. Alguns perdi deliberadamente, outros me perderam deliberadamente. Alguns partiram, outros vão partir em breve. É a dinâmica da amizade, da vida também. Não se pode deter o tempo. Sei que cada pessoa que passa pela minha vida me deixa algo, um presente, um carinho, uma alegria, uma tristeza, uma lembrança. Talvez eu também deixe algo de mim neles, mas isso não posso saber. O que sei é que sempre pensei na amizade como troca. Só agora pensei numa outra condição pra amizade. Troca é uma idéia muito utilitária da qual quero me desapegar, cada dia mais e mais. Talvez porque a gente se canse de dar e de esperar receber. E a vida passa. E como me disse alguém algum dia tudo que a gente resolve dar é porque quis, algumas vezes as pessoas pedem, é certo, mas algumas vezes é gratuito. Deveria ser sempre.
Acho que tem razão o tal filósofo epicurista quando diz que o desesperar tem mais sentido de ser na busca pela tal felicidade, que em filosofia, tem a ver com a busca da verdade, da sabedoria. Só que é tão humanamente difícil não criar expectativas, não pedir nada, se desapegar, ser gratuito. Sempre criei muitas expectativas e só depois dos 29, com o retorno de saturno, decidi tentar não criar mais nenhuma. Tenho feito exercícios de paciência, tenho pensado na morte, tenho ouvido mais as pessoas, tenho me esforçado mais pra ser mais amiga gratuitamente. Acho que tenho aprendido com as pessoas que não somos assim tão indispensáveis e especiais a ponto de achar que a nossa morte desestruturaria o universo. E que a perda é parte intrínseca ao nosso processo de crescimento e amadurecimento...
Agora chega. Quero escrever sobre coisas mais alegres.
Ps. Estou relendo o tratado, tem pontos que ainda não entendi muito bem...
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