sexta-feira, 19 de junho de 2009

a um amigo muito muito distante...

Kundera disse algum dia em algum lugar, melhor, escreveu:

entendi qual é o unico significado que a amizade pode ter nos dias de hoje: ela é indispensavel ao bom funcionamento da memória. Recordar-se do próprio passado, trazê-lo sempre atrás de si é, talvez, a condição necessaria para se salvaguardar o proprio eu...

espero que você se lembre algum dia disso...

pergunta de ultimissima hora:

daqui a dez anos, onde você quer estar? e fazendo o quê?
do passado ao futuro, não é possível se passar a não ser através do presente...

terça-feira, 9 de junho de 2009

Existe algum fim que seja transitório?

Por que pensar no fim?
Existe algum motivo que perdure,
alguma volta para se percorrer para sempre,
algum diálogo que nunca vai se acabar,
algum personagem que vai nascer e nunca se deixar contar,
se deixar fixar numa história?
Alguma história que não seja breve?
Algum afeto que permaneça?

Por algum motivo algumas pessoas acreditam que sim,
que suas histórias de amor jamais vão se acabar.
E se irritam quando eu digo que se acabam, por menos que se deseje...
Nenhum amor que não se acabe assim, eu digo.
Enquanto alguns apostam no presente, no que sempre se constrói todos os dias.

Gostaria de acreditar que existe um pra sempre,
de costruir o meu pra sempre,
mas o que leio, o que vejo no cinema,
é que todas as histórias tem um fim,
e me delicio em saber que após o fim de uma história,
confortavelmente vou abrir um novo livro e ler um novo enredo, conhecer um novo personagem...

na vida isso é mais complicado, talvez triste,
por isso prefiro a literatura e o cinema.

domingo, 7 de junho de 2009

sobre a leitura

“ler significa despojar-se de toda intenção e todo preconceito para estar pronta a captar uma voz que se faz ouvir quando menos se espera, uma voz que não se sabe de onde, de algum lugar além do livro, além do autor, além das convenções da escrita: do não-dito, daquilo que o mundo ainda não disse sobre si e ainda não tem as palavras pra dizer”...

Calvino, Se um viajante numa noite de inverno...