quarta-feira, 28 de novembro de 2007

eu escrevo para ser outro...

não é segredo pra ninguém que ler é viver uma outra existência, todo mundo já se viu um dia dentro de uma outra história que não fosse a sua, e quis até mesmo mudar o final.
Rodrigo Fresan, um "Borges pós moderno" conforme a orelha de seu livro "Os jardins de Kensigton" diz que "lendo vivemos muitas vidas" e que um livro é uma espécie de "ponto de fuga", um caminho pra desaparecer, pra fugir de si mesmo, da vida, dos outros, ou então pra se encontrar, quem sabe, no estranho silêncio da nossa leitura podemos deparar sons mágicos, que saem das palavras mesmas, como se cada palavra fosse uma nota musical, como as leituras musicais de uma partitura para um conhecedor de música:
"o silêncio que brota dos livros e nos envolve é um silêncio cheio de sons".

fui apresentada a Fresan, por meio da leitura desses "jardins"...
apesar deste título quase romântico, os jardins tratam da cultura pop, esquisito?, mas é isso, ou quase isso, trata da infância perdida e também do criador dos meninos perdidos mais celebrados pela nossa época cheia de peter pans... é uma análise des-apaixonada do nosso século XX, com críticas ferozes sobre nossa incapacidade de envelhecer, o breve século XX...

engraçado que me lembrei de um filme que não tem nada a ver com as temáticas "aparentes" do livro... nas digressões constantes do narrador sobre o que é escrever (um tema particularmente especial pra mim) o narrador (autor?) diz que escreve pra ser um outro... e isso me fez lembrar um episódio de Histórias Proibidas de Todd Solondz...
o episódio é o primeiro, e se não me engano se chama "Ficção", sobre uma estudante que faz um curso para aprender a escrever em uma universidade norte americana, o professor tem uma teoria bastante particular sobre a escrita, acredita que escrever é potência, virilidade, defloramento... e ensina suas alunas a escrever através de uma relação de subjeição ao sexo viril... enquanto a estudante deve se livrar de todos os seus preconceitos (inclusive raciais) e se entregar de alma (e corpo!) a esse defloramento... a esta escrita que toma conta de todos os poros de sua vida porosa... a relação com a escrita é também representada pela relação que a estudante tem com um "namorado impotente" conforme o audacioso professor...
ao final a escolha recai sobre uma escrita sem comprometimentos, ou em se tratando de Solondz, por um universo cheio de tabus... livre, todavia, de constragimentos...

existem várias formas de se pensar a escrita, João Cabral, por exemplo, acredita que escrever é tirar leite de pedra, os gênios românticos, que é puro processo de inspiração... Solondz que é cineasta acredita que é romper tabus, manifestação do desejo de poder...

não sei em que acredito, sei que quando escrevo não sou sempre eu, que lido com coisas que não sei como chamar, que por vezes expresso sentimentos que não cabem em mim...
é isso que me far querer sempre e a cada vez mais escrever... um não saber o quê, nem porque ou mesmo como...

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

contra a hierarquia das paixões ou a favor do acaso que se apresenta...

há dois anos atrás o prof. Alfonso Berardinelli me disse que Marcello Mastroiani era um ator perfeito justamente porque era desprovido de interioridade, era vazio, oco, sem paixões ou idiossincrasias, e que por isso podia absorver tão perfeitamente a psicologia de todos os personagens que interpretava, moldando-se conforme a "paixão" deste personagem...
talvez só agora consiga concordar que para ser ator é preciso ser desprovido de vaidades advindas do eu... (toda vaidade advém do eu? toda vaidade é uma paixão?)
gostaria de ser desprovida de mim, um oco, um vazio de paixões, de pensamentos tristes, de preconceitos, sem dor, nem medo, nem lembranças do que eu sou determinando o que devo ser...
gostaria de a cada dia ser um outro eu, assumindo personalidades diferentes todos os dias, sem me fixar jamais numa forma moldada pro resto da vida... (mesmo que ás vezes eu sinta muita saudade de mim...)

o que diferencia as paixões? esta foi a pergunta que me veio esta madrugada...
possível resposta: a única coisa que diferencia uma paixão de outra é o objeto de desejo...
tem gente que gosta de bichos, tem gente que gosta de planta, outros gostam de futebol, há quem goste de sapatos, alguns de máquinas e outros, ainda, gostam de livros...
uma pessoa que gosta de máquina, por exemplo, se diverte montando e desmontando mecanismos, tentando entender o funcionamentos de cada peça, imaginando meios de fazer a máquina funcionar melhor... buscando, enfim, o sentido daquela engrenagem...
quem gosta de livro também se diverte montando e desmontando só que frases, tentando entender como as palavras estão organizadas, qual o mecanismo de coerência entre as "peças" do texto... enfim, buscando um sentido ulterior, que pode estar entre as linhas...
acho que nosso grande pecado é achar que uma paixão é mais nobre que outra...
taí de onde vem nossos erros e preconceitos: cada um acha que sua paixão é melhor que a do outro.
quero me despir das minhas paixões todos os dias e ganhar outras todos os dias, porque, seja qual for a paixão, o bom é se deixar envolver por elas.
quem sabe sejam elas o que nos move... o que guia as coisas...

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

november rain, quer dizer, ruim...

acho que ando criando uma cisma muito forte com meus novembros... deve ser porque o mês começa com o dia de todos os santos, em que as pessoas fazem promessas pra um futuro melhor, mas o segundo dia do mês é já o dia dos mortos, ou seja, fantasmas e assombrações, coisas que já passaram e que continuam a assombrar, a mim pelo menos me assombram...


lembro quando minha vó me levava ao cemiterio pra levar flores mortas para os mortos, quase sempre chovia uma chuvinha fininha que parecia choro...


quem sabe novembro seja uma elegia ao passado...
comecei o meu vendo "O Passado" do Babenco, confesso que tive dificuldade em gostar das personagens protagonistas, mesmo que uma delas fosse o irresistível Bernal, personagens aprisionadas num tempo ido sem perpectivas de um futuro, tornando o presente insuportável... tudo por causa dos benditos fantasmas... a sensação (ruim) é de que o tempo passa por nós e nem percebemos... só vemos os estragos como num temporal...


sempre penso naquela frase de consolo que dizemos quando alguém está sofrendo: vai passar, vai passar... tudo passa, eu diria, quase tudo, ou talvez nem tudo... o drummond diz que de tudo fica um pouco...

meu horóscopo de hoje: "marte começa a retrogradar em seu signo hoje - e isso significa energia e vontade para trás, no sentido contrario a ação direta no mundo. Como se você se arrependesse, ou se sentisse inseguro, preso por duvidas, emoções conflitantes".

retrogradar? não sabia que este verbo existia, mas talvez minha vida esteja, este mês, meio retrogradando... (eita verbo besta!)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

contra o mau-humor e as portas que se fecham...

Chocolate!!!

O chocolate é um alimento muito nutritivo. Contém proteínas, gorduras, cálcio, magnésio, ferro, zinco, caroteno, vitaminas E, B1, B2, B3, B6, B12 e C. Estudos recentes sugerem a possibilidade de o consumo moderado de chocolate preto e amargo trazer benefícios para a saúde humana, nomeadamente devido à presença de ácido gálico e epicatecina, flavonóides com função cardioprotectora. Sabe-se que o cacau tem propriedades antioxidantes. O chocolate constitui ainda um estimulante devido à teobromina, embora de fraca capacidade. O chocolate também possui endorfina e cafeína.

fonte: Wikipedia.

as janelas se abrem quando as portas de fecham...
fonte: minha mãe.