domingo, 30 de janeiro de 2011

transfiguração


tomando emprestado um pouco da inquietude do Riobaldo:
eu careço que o sim seja sim e o não seja não
pra mim, o Bem o Mal estão ligados a nossa (im)possibilidade de dizer Sim e/ou Não.

transfiguração é um título emprestado do Cordel do Fogo Encantado, (que acabou meu Deus tudo acaba!)
e quantas vezes ouvi e cantei de mim pra mim
"Vou saquear a tua feira
rasgar a capa do teu peito
encher de arame a tua boa
botar garrancho no teu pé"
a melhor expressão do quanto é vasto o espaço entre sim e não...

os quatro elementos

Lendo Bachelard descobri que meu elemento nos sonhos é a água...
procurei neste infindável mundo virtual um resuminho do significado dos elementos de acordo com Bachelard, encontrei este abaixo, de algum trabalho de conclusão de curso em Psicologia...
o príncipio Yang e Yin estão ligados aos elementos e pra quem lê o I Ching, ajuda a se aproximar um pouco do significado do livro, a mim me ajuda... (embora o que mais me seja atraente nesta leitura é a capacidade de ir além de toda e qualquer racionalização possível...)

No zen-budismo, os elementos tradicionais são representados como as quatro qualidades que compõem a criação: luz (fogo), ar, fluidez (água) e solidez (terra). Ar e Fogo são ativos e auto-expressivos, estão ligados ao princípio Yang, estão associados à atividade e à leveza. Terra e Água são passivos, receptivos e auto-repressivos, estão ligados ao princípio Yin, e associados à gravidade e inércia – já que estão submetidos à gravidade.

Fogo - A ambivalência do elemento fogo é sublinhada por Bachelard: “Se tudo o que muda lentamente se explica pela vida, tudo o que muda velozmente se explica pelo fogo. O fogo é ultravivo. O fogo é íntimo e universal. Vive em nosso coração. Vive no céu. Sobe das profundezas da substância e se oferece como um amor. Torna a descer à matéria e se oculta, latente, contido como o ódio e a vingança. Dentre todos os fenômenos, é realmente o único capaz de receber tão nitidamente as duas valorizações contrárias: o bem e o mal. Ele brilha no Paraíso, abrasa no Inferno. É doçura e tortura. Cozinha e apocalipse. É prazer para a criança sentada ajuizadamente junto à lareira; castiga, no entanto, toda desobediência quando se quer brincar demasiado perto de suas chamas. O fogo é bem-estar e respeito. É um deus tutelar e terrível, bom e mau. Pode contradizer-se, por isso é um dos princípios de explicação universal”. O fogo é de maneira geral um elemento masculino (em oposição à água feminina), associado à energia vital, ao coração, à procriação, à iluminação espiritual e ao sol.

Água - Para Bachelard, a água é feminina, elemento transitório, é também “um tipo de destino essencial que metamorfoseia incessantemente a substância do ser”. Ligada à idéia de profundidade e maternidade, a água, é um dos elementos divinos manifestados, e vista como a matéria substancial para a formação de tudo aquilo que é vivo, a fonte original da criatividade e o símbolo universal da fertilidade e da fecundidade. No sentido psicológico, a água é o reservatório de toda a pulsão de vida”. Representa o reino da emoção profunda e das reações de sentimento, indo
desde paixões compulsivas e temores irresistíveis, até uma aceitação e um amor que abrange toda a criação. Em numerosos mitos de criação do mundo é a água fonte de toda a vida, assim como associada à idéia de dissolução e de afogamento. As “grandes águas” (mar, oceano) são símbolos do arquétipo da Mãe e através dele, do inconsciente mais profundo. Eminentemente perigosos (sempre arriscamos de ser engolidos e de entrar na morte ou na psicose) são também o depósito de todas as energias e de todas as capacidades de criação. No plano psicológico a água é o símbolo das camadas mais profundas do inconsciente onde habitam seres misteriosos. É o símbolo fundamental de todas as energias inconscientes.

Terra – Simbolicamente a terra é apresentada como princípio passivo (em oposição ao céu) feminina, obscura. O hexagrama k’uen do I-Ching é a “perfeição passiva”, e vincula o elemento às qualidades maternais, à submissão, doçura, firmeza calma e duradoura; humildade (húmus). Éo início e o fim, “do pó ao pó”, “a origem é o fim, como o fim é a origem; e o contrário da morte não é a vida, mas o nascimento: então, como o nascimento nos fez passar da vida verdadeira à vida sobre esta terra, a morte, é de fato, simbolicamente, um renascimento que nos faz acessar de novo à mesma vida real da alma”. É símbolo de fecundidade e regeneração. Da terra também os homens renascerão, como faz anualmente a vegetação, conforme os ciclos das estações. Palpabilidade, corporalidade, fecundidade.
A terra é “pesada e permanente, a terra tem forma e posição fixas. Não desaparece no ar por meio da volatilização, nem se adapta facilmente à forma de qualquer recipiente, ao contrário da água. Sua forma e localização são fixas.

Ar - Relacionado à energia vital, o domínio do ar é o mundo das idéias arquetípicas, que estão atrás do véu físico, da energia cósmica convertida em padrões de pensamento específicos. Está associado às linhas geométricas de força
que funcionam através da mente, á energia que modela os padrões das coisas que virão. O ar é de essência masculina, imprime um caráter de ligeireza e inteligência ativa. Associa-se ao vento, “o vento do espírito, à imagem do sopro que anima todas as coisas e participa da criação, é também a marca de um psiquismo ascensional para o qual tudo é movimento”. Bachelard declara que o ar é o meio próprio da luz, do alçar vôo, do perfume, a cor, das vibrações interplanetárias; é a via de comunicação entre a terra e o céu. Associa ao elemento o sonoro, o diáfano e o móbil; a sensação de alívio; a leveza, a claridade, a vibração; a liberdade.

sábado, 22 de janeiro de 2011

confucianas

Faço do desassossego de Soares, meu desassossego:

"E sou assim, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa: uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre..."

Na tentativa de sossegar, penso nas nove regras de Confúcio:

ver claramente o que vê;
escutar bem o que escuta;
manter na fisionomia um ar afável;
dignidade na sua atitude;
sinceridade no que diz;
ser diligente nos seus atos;
perguntar quando duvida;
quando encolerizado, pensar no que poderia fazer;
quando perceber a possibilidade de uma vantagem, pensar na justiça.


domingo, 9 de janeiro de 2011

meu amigo volte logo...

Queria te cantar uma canção.
ela diz assim: everybody hurts...

um dia já pensei que nem todos sofrem, mas todos sofrem, até o Michael Stipe, até minha mãe, até meu irmão, até o Lino, até o vizinho gentil que me diz todo dia com seu costumeiro sorriso tenha um bom dia...

hoje pensei que mais um ano chegou
também pensei que meus sobrinhos estão tão crescidos a cada dia que passa...
e o meu sobrinho diz o tempo todo: titia...
mesmo quando não quer nada, mas diz: titia...

o meu sobrinho tem menos de dois anos e eu não quero que ele sofra...
mas um dia ele acorda chorão, tem nada não, está num mal dia...
nem todos os dias dão certo...

e minha filha vai fazer 13 anos... tem dia que chega esgotada da escola, foi um dia difícil mãe, desconfio que sim...

até o Pessoa sofreu
ou fingiu que sofreu a dor que sofreu de verdade...

então vou continuar cantando esta canção,
mas vou cantar outra também
vou cantar: mas meu amigo volte logo
pensando que este amigo é o tempo da delicadeza
pensando que o meu jardim anda tão mal cuidado
pensando que sou tão frágil pra enfrentar todo esse vasto mundo
pensando que a leveza me ajuda a flutuar neste mundo de fardos pesados
pensando que 2011 pode ser um bom ano, apesar dos astros...
pensando que o Drummond pensaria na namorada uma hora destas...
na namorada que ele não teve tão cedo...

mas everybody hurts sometimes
mas é sometimes
mas é everybody

todo mundo deseja feliz ano novo, né?
vou desejar também, mas meu amigo volte logo...