segunda-feira, 16 de agosto de 2010

circular...

Quando ele voltou, pela segunda vez, eu já morava naquela casa estranha, cômodo único e estranho, um grande salão circular, com uma escada que dava para um corredor, também circular, em torno do salão, com janelas altas, de onde jorrava toda a luz...
De lá de cima avistei sua chegada, de novo entrou sem cerimônia, sentou-se à mesa e esperou que eu preparasse o jantar. Coloquei na mesa o cesto com as hortaliças e os tomates, dei por falta de alguns ingredientes, fiquei imaginando se eu teria queijo na geladeira, e enquanto me movia de um lado para o outro, buscando tudo pra preparar a salada, eis que quando noto, ele estava comendo já os tomates. Diante do meu olhar de reprovação, ficou meio sem jeito e deu aquele sorriso deslavado, com o qual eu já me familiarizara...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

divergentes...

Da primeira vez, ele chegou assim sem ser convidado, deitou-se na minha cama e dormiu um longo sono reconfortado. Nesta época nem pensava em esperá-lo, mas lá fiquei, ouvindo seu respiro frágil. Não pedi que ele se fosse, nem tampouco quis que ele ficasse. Só de manhãzinha, quando abriu os olhos, deu um sorriso deslavado e disse naquela desfaçatez toda que minha cama era muito mole, é que me dei conta que o melhor era querer que ele partisse. E então me veio aquela vontade imensa de compartilhar meu sono, que foi ruindo diante do som daquelas palavras irônicas. Num ímpeto me levantei e preparei o café e esperei que ele fosse embora logo em seguida. E me vi começando uma história que era de espera de retorno de algo que nunca tive. E assim tornei-me divergência de mim comigo mesma.