há dois anos atrás o prof. Alfonso Berardinelli me disse que Marcello Mastroiani era um ator perfeito justamente porque era desprovido de interioridade, era vazio, oco, sem paixões ou idiossincrasias, e que por isso podia absorver tão perfeitamente a psicologia de todos os personagens que interpretava, moldando-se conforme a "paixão" deste personagem...
talvez só agora consiga concordar que para ser ator é preciso ser desprovido de vaidades advindas do eu... (toda vaidade advém do eu? toda vaidade é uma paixão?)
gostaria de ser desprovida de mim, um oco, um vazio de paixões, de pensamentos tristes, de preconceitos, sem dor, nem medo, nem lembranças do que eu sou determinando o que devo ser...
gostaria de a cada dia ser um outro eu, assumindo personalidades diferentes todos os dias, sem me fixar jamais numa forma moldada pro resto da vida... (mesmo que ás vezes eu sinta muita saudade de mim...)
o que diferencia as paixões? esta foi a pergunta que me veio esta madrugada...
possível resposta: a única coisa que diferencia uma paixão de outra é o objeto de desejo...
tem gente que gosta de bichos, tem gente que gosta de planta, outros gostam de futebol, há quem goste de sapatos, alguns de máquinas e outros, ainda, gostam de livros...
uma pessoa que gosta de máquina, por exemplo, se diverte montando e desmontando mecanismos, tentando entender o funcionamentos de cada peça, imaginando meios de fazer a máquina funcionar melhor... buscando, enfim, o sentido daquela engrenagem...
quem gosta de livro também se diverte montando e desmontando só que frases, tentando entender como as palavras estão organizadas, qual o mecanismo de coerência entre as "peças" do texto... enfim, buscando um sentido ulterior, que pode estar entre as linhas...
acho que nosso grande pecado é achar que uma paixão é mais nobre que outra...
taí de onde vem nossos erros e preconceitos: cada um acha que sua paixão é melhor que a do outro.
quero me despir das minhas paixões todos os dias e ganhar outras todos os dias, porque, seja qual for a paixão, o bom é se deixar envolver por elas.
quem sabe sejam elas o que nos move... o que guia as coisas...
Adorei seu texto, realmente, vc pegou um ponto bom, o que diferencia as paixões, e por que as pessoas acham que suas paixões são melhores que a dos outros. Estou a pensar agora.
ResponderExcluirBeijos,
Carlos
Érica... Blog bonito o seu... Fiquei um tempo pensando... Érica, que Érica??? Lembrei de vc, mas não tinha certeza se era vc mesma... Daí a Ju confirmou... rs..
ResponderExcluirFalei de paixões ontem... E vi seu texto agora falando sobre paixões... Meio triste a história do Mastroiani... Pessoa oca... Coisa triste... Mas tem dias que a vontade mesmo é de ser oco, bem oco mesmo. Só pra não sentir as coisas que sentimos com tanta intensidade. No entanto, que graça teria a vida sem as paixões???
(Talvez fosse mais calminha...)
Talvez seja necessário um equilíbrio: meio oco, meio intenso. Será que dá? Meio nada, meio tudo, meio amor, meio vazio, meio-dia, meia-noite... Existe amor pelo meio, meio amor? Ou só existe amor e meio, amor e tanto, amor e transbordamento??? Se encontrar por aí o meio oco, meio intenso, me chama pra ver. Ando procurando há anos um meio termo nesse mundo das paixões.
Beijo grandão!
Camila
OBS: Será que falando de paixão podemos falar em meio termo? Ou se é pelo meio já deixou de ser paixão???