segunda-feira, 3 de março de 2008

men senãrá a reconocer que hay daños que te enseñam a crecer...

Alguns anos atrás, li um pequeno tratado sobre a felicidade, de um filósofo francês chamado André Comte-Sponville. O tratado se chama A felicidade, desesperadamente. O título talvez lembre um livro de auto-ajuda, mas a grande questão do texto é esta vírgula. O tratado retoma a doutrina epicurista sobre o bem viver, a filosofia como instrumento para uma vida melhor. O texto nos faz pensar sobre o “des-esperar” uma idéia interessante pra se alcançar a felicidade ( a felicidade em ato, ou seja, uma felicidade que não espera nada). É um resumo grosseiro, mas o filósofo diz que só des-esperando podemos atingir a felicidade porque “só esperamos o que não temos, e por isso mesmo somos tanto menos felizes quando mais esperamos ser felizes”. Ou, trocando em miúdos, buscamos a tal da felicidade sempre onde ela não está. Isso me faz lembrar dos desenhos animados que via antigamente, sempre tinha um personagem que ia de um lugar a outro buscando alguma coisa inalcançável, mas nunca encontrava, o objeto mágico estava sempre num outro lugar, para o qual ele se dirigia e enfim continuava a busca. Lembro de sempre esperar pelo último episódio quando ele por fim encontraria o tal objeto. De alguns desenhos nunca soube se fizeram ou não o último episódio. Às vezes acho que nossa vida se parece com estes desenhos animados de antes. E não sabemos mesmo quando vai passar o último episódio e se neste vamos encontrar o nosso objeto mágico que faz parte da nossa busca incessante pela felicidade.
Recentemente reencontrei dois amigos que não via há um bom tempo. Os dois casados, com filhos, trabalhando, com problemas, com alegrias, com tristeza, vivendo. Não sei bem se vivendo desesperadamente, mas vivendo. Cada pessoa constrói seus sonhos ou então deixa de sonhar conforme bem entende. Tenho amigos que estão longe, que não sei se vou ver qualquer dia destes, nem sei também se quero ver, se eles querem me ver. Alguns perdi deliberadamente, outros me perderam deliberadamente. Alguns partiram, outros vão partir em breve. É a dinâmica da amizade, da vida também. Não se pode deter o tempo. Sei que cada pessoa que passa pela minha vida me deixa algo, um presente, um carinho, uma alegria, uma tristeza, uma lembrança. Talvez eu também deixe algo de mim neles, mas isso não posso saber. O que sei é que sempre pensei na amizade como troca. Só agora pensei numa outra condição pra amizade. Troca é uma idéia muito utilitária da qual quero me desapegar, cada dia mais e mais. Talvez porque a gente se canse de dar e de esperar receber. E a vida passa. E como me disse alguém algum dia tudo que a gente resolve dar é porque quis, algumas vezes as pessoas pedem, é certo, mas algumas vezes é gratuito. Deveria ser sempre.
Acho que tem razão o tal filósofo epicurista quando diz que o desesperar tem mais sentido de ser na busca pela tal felicidade, que em filosofia, tem a ver com a busca da verdade, da sabedoria. Só que é tão humanamente difícil não criar expectativas, não pedir nada, se desapegar, ser gratuito. Sempre criei muitas expectativas e só depois dos 29, com o retorno de saturno, decidi tentar não criar mais nenhuma. Tenho feito exercícios de paciência, tenho pensado na morte, tenho ouvido mais as pessoas, tenho me esforçado mais pra ser mais amiga gratuitamente. Acho que tenho aprendido com as pessoas que não somos assim tão indispensáveis e especiais a ponto de achar que a nossa morte desestruturaria o universo. E que a perda é parte intrínseca ao nosso processo de crescimento e amadurecimento...
Agora chega. Quero escrever sobre coisas mais alegres.

Ps. Estou relendo o tratado, tem pontos que ainda não entendi muito bem...

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