segunda-feira, 17 de março de 2008

prefiro histórias que se contam...

uma aluna me perguntou outro dia o que eu andava lendo de bom,
como não estou lendo nada de bom, tenho lido pouco e em geral coisas ligeiras,
resolvi sugerir um livro que li já faz mais de um mês, talvez dois... um livro muito bom, dos melhores que li nestes últimos meses...
"dois irmãos" do Milton Hatoum, um escritor que ainda não está nos manuais escolares de literatura... (coisas de aluno!)
disse pra ela que era um livro fascinante porque tinha um encadeamento na história que prendia o leitor, toda vez que era obrigada a parar a leitura sofria um pouco porque queria saber qual era a próxima percipecia dos jovens protagonistas... não só as aventuras e conflitos são perturbadores, também a linguagem, muito simples e ao mesmo tempo muito trabalhada, cheia de palavras que designam coisas, um vocabulario muito concreto, regional, que traz em si uma força expressiva e caracterizadora da literatura do Hatoum...
foi o primeiro livro que li deste escritor e soube que ele tem mais outros dois se não me engano, e que já ganhou prêmios importantes pra literatura nacional...
a minha aluna está se preparando pro vestibular e leituras extra agora não ajudam muito, então ela me perguntou também o que eu achava de escritores como Machado, Guimarães Rosa, Clarice... bom, disse quais eram os meus preferidos dentre os romances destes, mas ressaltei que tenho lido ultimamente nada de muito canônico como Rubem Fonseca, Daniel Galera, e que o Hatoum foi uma grande descoberta, principalmente porque tenho veementemente me recusado a ler livros que sejam mais reflexão, estruturas, que historia propriamente dita...
isso porque tenho evitado algumas reflexões árduas e penosas... embora a saga dos dois irmãos seja motivo pra reflexão, acho que o mais importante é a questão do exemplo, é uma historia mítica e exemplar, e com uma perspectiva de inconclusão, como se a historia dos irmãos fosse só uma parte de uma historia maior, como se tudo continuasse andando, caminhando pra um ponto qualquer no horizonte, sem um final previsto ou mesmo pensável... mesmo quando o livro acaba.
acho que foi por isso que gostei.

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