O Tabucchi tem um conto sobre o arame farpado, na verdade sobre a dificuldade se liberar do arame farpado
reli recentemente, lá ele diz que alguns cientistas tentaram estabelecer o ponto exato no cérebro onde se encontra o ponto mais central e íntimo da consciencia, ou seja, a alma, então tece a sua "teoria" de que a alma não está no cérebro, mas no sangue, na verdade em um único glóbulo, entre milhões de outros glóbulos, misturado, e é nos impossível, claro, precisar em qual...
fiquei pensando não no glóbulo que contém a minha alma, não teria nenhum sentido,
pensei no arame farpado, até porque ele não faz nenhuma referência ao arame farpado além daquela do título.
também pensei no Cem anos de solidão, do Garcia Marquez, dos ciclos intermináveis, que se repetem por todo o sempre, e lembrei de um amigo que sempre me disse que temos que romper o ciclo, sair pela tangente, para começar um novo ciclo? perguntei, incrédula como sempre...
o Kundera começa seu livro sobre a insustentável leveza do ser com a ideia do eterno etorno, do peso que este retorno porta em si, e do quando a nossa experiência moderna linha reta do tempo é insustentável, e propõe uma pergunta impossível de se responder (ao menos pra mim!): o que escolher, a leveza ou o peso?
tempos atrás, quando li o livro pela primeira vez, com 19 anos, acho que optei pela leveza, o leve é positivo, claro, passados exatos dez anos, depois de experiências insustentáveis, do retorno de saturno, escolhi o peso, e agora, em crise com este peso escolhido, desejado, talvez deva esperar esgotar os dez anos pra escolher de novo: mas o fato é que não me encontro nem como leveza e nem mesmo como peso.
duas amigas minhas escolheram o peso, e resolveram questões que não resolvi (será que vou resolver um dia?), fiquei tendendo a escolher o peso, mas ainda preciso pensar, porque gosto do etéreo.
quanto ao arame farpado, gosto dos versos do Cordel do fogo encantado que dizem assim:
vou saquear a sua feira
rasgar a capa do seu peito
cercar de arame a sa boca
botar garrancho no seu pé.
Lembro-me que ao ler a 'Insustentável Leveza do Ser', fiquei pensando muito nisso Também. No entanto me pareceu claro a opção, com leveza ou peso, pela vida... E não é assim que aquele casal (que divide a trama bifurcada da obra)que morre num desastre vive? Recordo-me que isso é narrado antes do fim, para que a vida discorra com fluência, dentro da mágica da própria vida.
ResponderExcluirÉrica, sua leveza é sempre alento para meu peso...
obrigado por isso.
bjos.