Lendo Bachelard descobri que meu elemento nos sonhos é a água...
procurei neste infindável mundo virtual um resuminho do significado dos elementos de acordo com Bachelard, encontrei este abaixo, de algum trabalho de conclusão de curso em Psicologia...
o príncipio Yang e Yin estão ligados aos elementos e pra quem lê o I Ching, ajuda a se aproximar um pouco do significado do livro, a mim me ajuda... (embora o que mais me seja atraente nesta leitura é a capacidade de ir além de toda e qualquer racionalização possível...)
No zen-budismo, os elementos tradicionais são representados como as quatro qualidades que compõem a criação: luz (fogo), ar, fluidez (água) e solidez (terra). Ar e Fogo são ativos e auto-expressivos, estão ligados ao princípio Yang, estão associados à atividade e à leveza. Terra e Água são passivos, receptivos e auto-repressivos, estão ligados ao princípio Yin, e associados à gravidade e inércia – já que estão submetidos à gravidade.
Fogo - A ambivalência do elemento fogo é sublinhada por Bachelard: “Se tudo o que muda lentamente se explica pela vida, tudo o que muda velozmente se explica pelo fogo. O fogo é ultravivo. O fogo é íntimo e universal. Vive em nosso coração. Vive no céu. Sobe das profundezas da substância e se oferece como um amor. Torna a descer à matéria e se oculta, latente, contido como o ódio e a vingança. Dentre todos os fenômenos, é realmente o único capaz de receber tão nitidamente as duas valorizações contrárias: o bem e o mal. Ele brilha no Paraíso, abrasa no Inferno. É doçura e tortura. Cozinha e apocalipse. É prazer para a criança sentada ajuizadamente junto à lareira; castiga, no entanto, toda desobediência quando se quer brincar demasiado perto de suas chamas. O fogo é bem-estar e respeito. É um deus tutelar e terrível, bom e mau. Pode contradizer-se, por isso é um dos princípios de explicação universal”. O fogo é de maneira geral um elemento masculino (em oposição à água feminina), associado à energia vital, ao coração, à procriação, à iluminação espiritual e ao sol.
Água - Para Bachelard, a água é feminina, elemento transitório, é também “um tipo de destino essencial que metamorfoseia incessantemente a substância do ser”. Ligada à idéia de profundidade e maternidade, a água, é um dos elementos divinos manifestados, e vista como a matéria substancial para a formação de tudo aquilo que é vivo, a fonte original da criatividade e o símbolo universal da fertilidade e da fecundidade. No sentido psicológico, a água é o reservatório de toda a pulsão de vida”. Representa o reino da emoção profunda e das reações de sentimento, indo
desde paixões compulsivas e temores irresistíveis, até uma aceitação e um amor que abrange toda a criação. Em numerosos mitos de criação do mundo é a água fonte de toda a vida, assim como associada à idéia de dissolução e de afogamento. As “grandes águas” (mar, oceano) são símbolos do arquétipo da Mãe e através dele, do inconsciente mais profundo. Eminentemente perigosos (sempre arriscamos de ser engolidos e de entrar na morte ou na psicose) são também o depósito de todas as energias e de todas as capacidades de criação. No plano psicológico a água é o símbolo das camadas mais profundas do inconsciente onde habitam seres misteriosos. É o símbolo fundamental de todas as energias inconscientes.
Terra – Simbolicamente a terra é apresentada como princípio passivo (em oposição ao céu) feminina, obscura. O hexagrama k’uen do I-Ching é a “perfeição passiva”, e vincula o elemento às qualidades maternais, à submissão, doçura, firmeza calma e duradoura; humildade (húmus). Éo início e o fim, “do pó ao pó”, “a origem é o fim, como o fim é a origem; e o contrário da morte não é a vida, mas o nascimento: então, como o nascimento nos fez passar da vida verdadeira à vida sobre esta terra, a morte, é de fato, simbolicamente, um renascimento que nos faz acessar de novo à mesma vida real da alma”. É símbolo de fecundidade e regeneração. Da terra também os homens renascerão, como faz anualmente a vegetação, conforme os ciclos das estações. Palpabilidade, corporalidade, fecundidade.
A terra é “pesada e permanente, a terra tem forma e posição fixas. Não desaparece no ar por meio da volatilização, nem se adapta facilmente à forma de qualquer recipiente, ao contrário da água. Sua forma e localização são fixas.
Ar - Relacionado à energia vital, o domínio do ar é o mundo das idéias arquetípicas, que estão atrás do véu físico, da energia cósmica convertida em padrões de pensamento específicos. Está associado às linhas geométricas de força
que funcionam através da mente, á energia que modela os padrões das coisas que virão. O ar é de essência masculina, imprime um caráter de ligeireza e inteligência ativa. Associa-se ao vento, “o vento do espírito, à imagem do sopro que anima todas as coisas e participa da criação, é também a marca de um psiquismo ascensional para o qual tudo é movimento”. Bachelard declara que o ar é o meio próprio da luz, do alçar vôo, do perfume, a cor, das vibrações interplanetárias; é a via de comunicação entre a terra e o céu. Associa ao elemento o sonoro, o diáfano e o móbil; a sensação de alívio; a leveza, a claridade, a vibração; a liberdade.
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