quinta-feira, 3 de abril de 2008

da brevidade da leitura...

ainda não li o Raduan Nassar, a não ser a primeira página de um Copo de coléra numa livraria... ia comprando quando me dei conta de uma coleção de bolso, mais barata e acabei lendo Amós Oz, um livro curioso, A caixa -preta... feito de cartas, gosto da estranha composição mosaico do romance... gosto de autores que me façam rir e chorar ao mesmo tempo... na minha crise de abstinencia de leituras (há dois meses não lia nada!!!), comecei a ler este romance abruptamente e já quase acabando, tenho a dizer que as paixões que se consumam assim brevemente deixando muitas marcas e nenhum sentido são as melhores... longas paixões, ademais, nem sei se existem... se existirem devem ser uma especie de tortura lenta e agonizante...
A caixa-preta ainda não sei bem sobre o que é, talvez sobre a tortura que impomos a nós mesmos...

"já foi o tempo em que via a convivência como viável, só exigindo deste bem comum, piedosamente, o meu quinhão, já foi o tempo em que consentia num contrato, deixando muitas coisas de fora sem ceder contudo no que me era vital, já foi o tempo em que reconhecia a existência escandalosa de imaginados valores, coluna vertebral de toda ‘ordem’; mas não tive sequer o sopro necessário, e, negado o respiro, me foi imposto o sufoco; é esta consciência que me libera, é ela hoje que me empurra, são outras agora minhas preocupações, é hoje outro o meu universo de problemas; num mundo estapafúrdio _ definitivamente fora de foco _ cedo ou tarde tudo acaba se reduzindo a um ponto de vista, e você que vive paparicando as ciências humanas, nem suspeita que paparica uma piada: impossível ordenar o mundo dos valores, ninguém arruma a casa do capeta; me recuso pois a pensar naquilo em que não mais acredito, seja o amor, a amizade, a família, a igreja, a humanidade; me lixo com tudo isso! me apavora ainda a existência, mas não tenho medo de ficar sozinho, foi conscientemente que escolhi o exílio, me bastando hoje o cinismo dos grandes indiferentes "
"Um copo de cólera", de Raduan Nassar.

eu ainda prefiro as paixões, ao menos estas de que tratam os romances...

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