Sempre que o visito penso que ele é uma espécie de oráculo, pois ele sempre me dá um enigma pra levar pra casa e pensar. Ontem me falou de duas palavras quase contraditórias: do rancor e das nuvens.
Levei a noite toda pensando na relação entre elas. Ainda não sei se decifrei...
Descobri que o rancor é uma mágoa profunda, que permanece, a gente perde muito tempo da vida pensando na dor que sofremos e deixamos de viver coisas melhores.
Talvez porque as nuvens passem, sejam assim o oposto do rancor...
nuvem-esquecimento,
nuvem-alívio...
Acho que ainda não sei, mas prefiro as nuvens...
Nesse tempo sem medida, de coisas que permanecem e outras que se vão, meu amigo eremita me disse que sempre tentou depender pouco das pessoas, mas isso é bastante difícil. Disso entendi também que ele julga pouco as atitudes e os sentimentos de casa um. É difícil ouvir dele um qualificativo pra qualquer pessoa que seja. Enquanto nós, meros mortais, nos desfazemos em julgamentos... acho que passamos um bom tempo pensando sobre nossas próprias razões e esquecemos de tentar compreender a razão dos outros...
Enfim, acho que as duas palavras do meu amigo se multiplicaram e me deram mais duas pra tentar decifrar e aprender para os próximos 10 anos: compreender e perdoar.
"De que coisa se formam os nossos poemas? onde?
Qual sonho envenenado responde a eles,
se o poeta é um ressentido, e o resto são nuvens?"
Antonio Tabucchi.
Grande texto, Erica.
ResponderExcluirE o seu amigo me parece familiar, hehe.
Compreender e perdoar são palavras lindas e que faltam no vocabulario de muitas muitas pessoas.
Rancor faz parte... e nuvens tambem... Mas acho que devem ganhar um certo limite nas nossas vidas.
Beijo, guria! Vamos combinar o almoço** =)