domingo, 2 de maio de 2010

o rancor e as nuvens...

Posso começar este post dizendo que tenho sim um amigo "eremita". Me parece que ele sai pouco de casa, em geral fica lá cercado de livros, lê muita ficção, usa um moleton folgado e uma blusa de lã preta, deixou a barba crescer e agora fuma cachimbo. Nos seus quase trinta anos, às vezes me parece um velhinho.
Sempre que o visito penso que ele é uma espécie de oráculo, pois ele sempre me dá um enigma pra levar pra casa e pensar. Ontem me falou de duas palavras quase contraditórias: do rancor e das nuvens.
Levei a noite toda pensando na relação entre elas. Ainda não sei se decifrei...
Descobri que o rancor é uma mágoa profunda, que permanece, a gente perde muito tempo da vida pensando na dor que sofremos e deixamos de viver coisas melhores.
Talvez porque as nuvens passem, sejam assim o oposto do rancor...
nuvem-esquecimento,
nuvem-alívio...
Acho que ainda não sei, mas prefiro as nuvens...

Nesse tempo sem medida, de coisas que permanecem e outras que se vão, meu amigo eremita me disse que sempre tentou depender pouco das pessoas, mas isso é bastante difícil. Disso entendi também que ele julga pouco as atitudes e os sentimentos de casa um. É difícil ouvir dele um qualificativo pra qualquer pessoa que seja. Enquanto nós, meros mortais, nos desfazemos em julgamentos... acho que passamos um bom tempo pensando sobre nossas próprias razões e esquecemos de tentar compreender a razão dos outros...

Enfim, acho que as duas palavras do meu amigo se multiplicaram e me deram mais duas pra tentar decifrar e aprender para os próximos 10 anos: compreender e perdoar.

"De que coisa se formam os nossos poemas? onde?
Qual sonho envenenado responde a eles,
se o poeta é um ressentido, e o resto são nuvens?"
Antonio Tabucchi.

Um comentário:

  1. Grande texto, Erica.
    E o seu amigo me parece familiar, hehe.

    Compreender e perdoar são palavras lindas e que faltam no vocabulario de muitas muitas pessoas.
    Rancor faz parte... e nuvens tambem... Mas acho que devem ganhar um certo limite nas nossas vidas.

    Beijo, guria! Vamos combinar o almoço** =)

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