Hoje eu também não o esperava. Outra vez invadiu meu quarto, fico impressionada com a capacidade dele de invadir, entrar sem pedir licença, e porque não fico com raiva? Ele atravessou a casa toda sem notar a bagunça, foi direto para o meu quarto e se deitou na minha cama, jovial, brincalhão, homem-menino. Quantas vezes já esteve ali? Perco a conta. Ainda continua? Foi embora e voltou? Não consigo precisar, sei apenas que ele trouxe seu gatinho amuleto, uma espécie de chaveiro que piscava os olhos quando eu o olhava. Na minha cama, esparramado, instalou seu programa de joguinhos no meu computador e criou um jogo de perseguição. Acho que gosto da sua invasão, mas me angustiam seus jogos de perseguição, ele me conforta, sentimentos complexos, não consigo explicar, uma confusão de desejos que só se resolvem quando me aproximo dele, me deito ao seu lado, espero suas caricias, ele continua a jogar, me ignora, depois me acaricia as pernas suavemente e me ensina um percurso dentro do jogo pra escapar. Não consigo escapar. É um homem que toma conta da minha cama com seu corpo imenso, um homem grande e bonito e intruso, que invade meus sentidos. E tem uma mania de menino. Sinto prazer em estar ao seu lado. Sinto que ele sempre esteve aqui, em mim. Mas não o conheço nem menos. Não sei seu nome, não sei quantos anos tem, é menino algumas vezes, e outras, é tão senhor de mim.
domingo, 19 de setembro de 2010
esquerda direita...
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