quarta-feira, 18 de abril de 2007

brincadeira de roda...

se eu fosse um escritor agora queria ser Antonio Tabucchi, pra dizer com todas as suas letras que meu maior desejo agora é aquele de Simplificação, um pouco mais abaixo... é que minha vida ainda está tentando encontrar uma expressão mais simples, como diz, não o escritor, mas o professor-compositor. Acontece que também queria ser Beckett, e dizer em meio ao des-espero de suas-minhas personagens, que algo ou alguém há de vir, vai chegar e que juntos, poderão visitar algumas das cidades invisíveis de Calvino, e que diante da imprecisão das curvas e modos estranhos de se olhar e se viver, poderão sentir-se um pouco como as personagens pirandellianas, abismadas e sem saber onde como quando e porquê, mas que sim, que existem, fixadas ali, imunes ao tempo. O tempo é o sempre da Simplificação. Acontece que se eu escrevesse poesia, isso seria bem menos provável, queria ser também um leitor, paradoxalmente, para escrever, como Pessoa, que não tenho certeza de nada, sendo talvez menos certo ou mais errado, ou mais certo e menos errado, ou nem certo nem errado, e me ler, inadivertidamente. Então preferiria ser uma personagem, como aquela de Tabucchi que é um ator que interpreta dentro de um hospício Pessoa esperando uma ligação de Pirandello. Que não vem... porque Pirandello está procurando no universo calviniano um ponto seguro, não infernal, porque os infernos, ele bem sabe, estão por toda parte, e ele, como qualquer escritor, leitor, ou personagem, precisa descobrir, em meio ao caos, sendo dele filho, o que não é inferno... e então é o fim, o ator é sempre um fingidor, finge que é um poeta que finge que espera uma ligação que não vem... como numa brincadeira de roda... em que giram leitores, escritores, personagens, vida, ficção, ficção vida...

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