"Più che un rammarico per quanto ho scritto è un rimpianto per ciò che non potrò mai leggere". A. Tabuchi.
Mais do que um lamento por aquilo que escrevi é uma nostalgia por aquilo que não poderei nunca ler...
saudade do que nunca vivi? Tabucchi conhece bem o significado da palavra saudade, disse em algum lugar que sente como realidade aquilo que escreve, viver não é o importante, o importante é o que escreve, porque, de certa forma também é vida...
engraçado como um autor entra na nossa vida e se instala e a muda completamente....Tabucchi entrou na minha faz uns três ou quatro meses... entrou como se fosse um pequeno engano sem importância...
"Mas o que poderia dizer-lhes, que se tratava de um pequeno engano sem remédio? porque enquanto pensava nisso, pensei também que tudo era realmente un enorme pequeno engano sem remédio que a vida estava levando embora, agora as partes estavam decididas e era impossível não recitá-las; e eu também, que tinha vindo com meu bloquinho de notas e também o meu simples olhar voltado àqueles que recitavam suas partes, também a minha era uma parte, e nisso consistia a minha culpa, no estar no jogo, porque não se pode subtrair-se a nada e se tem culpa de tudo, cada um a seu modo. E então me veio um grande cansaço e uma espécie de vergonha, e junto me veio uma idéia que tomou posse de mim e que eu não soube decifrar; algo que poderia chamar o desejo de Simplificação. Em um segundo, seguindo um novelo que estava se desenrolando com a velocidade de uma vertigem, entendi que estávamos ali devido a uma coisa que se chama Complicação, e que por séculos, por milênios, per milhões de anos ela condensou, camada sobre camada, circuitos sempre mais complexos, sistemas sempre mais complexos, até formar isto que agora somos e isto que estamos vivendo. E me veio a nostalgia da Simplificação, como se os milhões de anos que produziram os seres... estes milhões de anos por sortilégio se dissolvessem em um cisco de tempo feito de nada..."
de: "Piccoli equivoci senza importanza" (tradução minha).
é o jogo das partes, que cada um recita ao seu modo... pirandelliano, não? é também a busca da expressão mais simples... é também o mito de eterno retorno... são as fagulhas de pensamento que me vêm quando leio e escrevo...
há dias que tenho pensado no título de um filme que gosto muito: "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" e há dias que tenho pensado que minha memória das coisas é que me faz sentir que vivo... não sei porque, não é o presente que me angustia ou a incerteza de um futuro, mas é o desprender-se sem fim da vida a cada segundo, a impossibilidade de reter um segundo que acabou de passar... novamente a possibilidade da perda, que me assalta, me faz refém, não me deixa viver o que tenho... seja lá o que for...
olá!
ResponderExcluirgostei do teu blog e ainda está no começo!
é bom saber que tu sentes que é viva! rs
também tenho o meu: www.renato.co.nr
até mais!
beijos!