segunda-feira, 16 de abril de 2007

sobre um poema que não entendi...

"Passei horas pensando um verso que a pena não quer escrever..." C.D. Andrade.

mas não é esse o poema que não entendi... este é um daqueles que se imortalizaram no meu repertório de leitor... o poema que não entendi ainda não foi inteiramente escrito... está em processo, diz alguma coisa sobre nunca perder em si mesmo a "qualidade do afago", e o poeta ainda não se fez, está se fazendo...mas cada dia se faz melhor, entre durezas e afagos... mescla de dor à moda de Plínio Marcos e segredos especulares borgianos, alguma coisa assim, cada poeta é um leitor e traz naquilo que escreve marcas daquilo que leu, bem lido, mas só se as leituras, sejam de livros, sejam de vida, tenham ficado arraigadas na pele e na alma...assim é o meu poeta, ainda cambaleante, ainda fugindo, ainda dizendo eu sou, pra depois não ser, ou ser mais ainda...
mas não perdendo nunca, em meio a dureza das pedras que rolam, a qualidade doce do afago...
"o verso está cá vivo"
há de sair, eu sei...
eu hei de entender um dia...

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