gosto muito da cultura paulistana, que é uma mistura deste país inteiro, sou adepta dos urbanóides de plantão, gosto da velocidade, do caos, das máquinas de espresso em todos os cafés, gosto dos cinemas alternativos, do público cult, da gente que sai falando "bobeira filosófica " depois das mostras, gosto de tudo isso, não tem jeito, por isso aindo vivo aqui, cada dia mais e cada dia menos...
hoje saindo do cinesesc, da mostra de curtas com um casal de amigos, falando dos curtas, claro, chegamos a algumas conclusões inevitáveis: uma delas é que é chato ir ao cinema e não ter com quem falar do filme, embora tenha muita gente solitária nos cinemas, sobretudo no circuito alternativo...
sobre a mostra: vimos uns curtas brasileiros e tecemos opiniões sobre três, dois deles sobre paulistanos, jovens e talentosos: Thiago Mendonça, que falou sobre a boca do lixo, metacinema, que pra mim valeu a sessão, e Caetano Gotardo, que falou sobre a impossibilidade da comunicação em sampa, tema em voga, mas que o fez por dentro de São Paulo mesmo, ruas prédios, de uma maneira poética, principalmente quando falou sobre o agora, o que a gente gosta agora de uma forma, e que não sabe se vai gostar amanhã, mas sabemos que este "agora" vai se inscrever na nossa história... o curta se chama O menino japonês...
sobre paulistanos que vão ao cinema: o terceiro filme é com atores "globais" e o diretor não é estreante, escolheu falar sobre a literatura de João do Rio, até que tinha achado interessante, até um paulistano que saía sozinho da sala se "meter na conversa", de um modo muito bem vindo, deixo muito bem dito, e dizer que sentiu vergonha deste aí: paramos meio abismados: a gente não gostou muito (eu até que gostei pelo resgate da literatura que um cara desconhecido do começo do século!), vergonha porque o cara já fez outros filmes e fez uma coisa super anacrônica, sem novidades, todo mundo já fez... é o velho e o novo convivendo... gostei da opinião do paulistano, que escreve sobre cinema em algum canto da net, ele virou a esquina e não tive tempo de perguntar...
acho que paulistano em geral é tímido, assombrado, de modo que abordam, vão embora, não dão endereço e nem telefone, na maioria das vezes não pedem desculpa, nem licença, por favor, obrigado... mas não me importo com estas formalidades... existe uma formalidade no olhar que diz muita coisa... também tem um trejeito simpático e distante... não sei bem, só paulistano "de convivência" mesmo pra entender.
Nenhum comentário:
Postar um comentário