diz o senhor Bauman:
a líquida racionalidade moderna recomenda mantos leves e condena as caixas de aço.
nos compromissos duradouros, a líquida razão moderna enxerga a opressão; no engajamento permanente percebe a dependência incapacitante.
essa razão nega direitos aos vínculos e liames, espaciais ou temporais.
eles não tem necessidade ou uso que possam ser justificados pela líquida racionalidade moderna dos consumidores.
vínculos e liames tornam "impuras" as relações humanas - como o fariam com qualquer ato de consumo que presuma a satisfação instantânea e, de modo semelhante, a instantânea obsolescência do objeto consumido.
diz algúem que entendeu o senhor B.:
O apelo por fazer escolhas que possam num espaço muito curto de tempo serem trocadas por outras mais atualizadas e mais promissoras, não apenas orientam as decisões de compra num mercado abundante de produtos novos, mas também parecem comandar o ritmo da busca por parceiros cada vez mais satisfatórios. A ordem do dia nos motiva a entrar em novos relacionamentos sem fechar as portas para outros que possam eventualmente se insinuar com contornos mais atraentes.
digo eu, buscando um contraponto entre o peso e a leveza:
não acredito que a culpa deva ser predominante nas relações, mas a ausência de fardos, torna o ser humano insustentavelmente leve, faz com que ele voe e se distancie da terra.
por outro lado, é o despudor que faz com que ele avance, sabe-se lá pra onde, pro mistério, pro descaminho, pro progresso (da própria desilusão?), pro novo, pro belo...
ainda: questão de escolha.
não é de graça, mas cada um paga no caixa o amor que escolheu.
(esta última é do Ligabue).
Nenhum comentário:
Postar um comentário