segunda-feira, 17 de agosto de 2009

sobre a escrita e a não escrita...

sempre que leio algo que realmente mexe comigo, entro numa espécie de transe, tudo acontece ao meu redor, e nada me alcança, só a escrita... o texto... paranóia de leitor...
posso dizer que desde que comecei a ler Enrique Vila-Matas, sexta passada, estou em transe.

o texto é sobre escritores do Não, escritores que resolveram não escrever... ou então tematizaram a não escirta... se chama Bartleby e companhia.

o primeiro escritor do Não é Robert Walser a quem o narrador atribui a frase: escrever que não se pode escrever também é escrever.

uma outra frase, não atribuída a nenhum escritor mas que é título de um livro de Tabucchi: a escrita é um pequeno equívoco sem importância.
sempre pensei nos equívocos do Tabucchi como sendo os temas, as circunstancias narradas, e eis que agora, me vem esta outra ideia, a de que escrever é que é um equivoco.

de quebra encontrei um escrito do Tabucchi sobre a escrita em Vila-Matas: "Perseguir con pasión vidas ajenas que son la nuestra, interiorizar a los muertos y hacerlos revivir: la escritura revela sus extraños y ocultos poderes, se convierte en práctica mágica. Escribir, ¿qué significa escribir?

¿Cuántas son las razones del silencio? Tantas como las de la vida. O de la muerte. O del suicidio. Porque el silencio es también un suicidio, razona el silencioso protagonista que escribe el diario escrito por Vila-Matas. Pero al suicidio le hace falta una cantidad de valor más reducida: basta una vez. Para el silencio el valor es obstinado, es necesario reunir valor para callar cada mañana, durante todos los días que nos quedan por vivir. El silencio es un suicidio renovado día a día."

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