tomando emprestado um pouco da inquietude do Riobaldo:
domingo, 30 de janeiro de 2011
transfiguração
tomando emprestado um pouco da inquietude do Riobaldo:
os quatro elementos
sábado, 22 de janeiro de 2011
confucianas
domingo, 9 de janeiro de 2011
meu amigo volte logo...
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
a partida de xadrez

E começamos a jogar a partida, era uma partida começada há séculos atrás quando todos os homens ainda começavam a existir e ser animus e todas as mulheres ainda nem sonhavam com seus arquétipos, e por todos os séculos passando jogamos a partida nas trevas das cavernas, no monte de todos os Olimpos, nos seios de todas as igrejas, nas guerras de todos os povos, no mistério de todos os renascimentos, na luz de todas as trevas, na vida de todos os realismos, na merda de todas as quedas, nas poções de todos os magos, no medo de todos os horrores, no sorriso de todas as propagandas, e os séculos passavam e eu te vencia e você me vencia e a partida nunca enfim acabava e eu tremia e o céu tremia e o mundo era gemido e o torpor se aproxima da minha anima, e me possui e não nunca se desfaz e não nunca que me alcança e é só isso, por todos os séculos e séculos é só isso.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
pequenas porções de ilusões...
1. Cão que ladra não morde. Todo dia desvio meu caminho por causa dele, hoje não desviei: ele latiu latiu mas fui em frente, continuou latindo e não me fez nada!
2. Mentiras sinceras me interessam. Tinha uma aluno que nunca fazia lição de casa. Quando eu perguntava o motivo, sempre me contava uma história fantástica. Passei a dar lição de casa todo dia só pra ouvir suas histórias maravilhosas.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
arte combinatória...
"Toda a literatura está contida na linguagem, ela é só permutação de um conjunto finito de elementos e de funções. Mas a literatura não é sempre subtendida pelo esforço de sair deste número finito? Não procura talvez dizer o que não sabe dizer, o que não pode dizer, o que não sabe, o que não se pode saber? Uma coisa não pode ser conhecida enquanto as palavras e os conceitos para dizê-la e pensá-la não foram usadas ainda naquela posição, não foram dispostas ainda naquela ordem, naquele sentido. A batalha da literatura é justamente um esforço para sair fora dos limites da linguagem; é da margem extrema do dizível que ela se projeta; é o chamado daquilo que está fora do vocabulário que move a literatura.
O narrador agrupa frases, imagens: a fábula estende-se sinuosamente de frase em frase, para aonde se dirige? Para o ponto no qual qualquer coisa ainda não dita, qualquer coisa só obscuramente pressentida, revela-se e nos prende e dilacera como a mordida de uma feiticeira antropófaga. Na floresta das fábulas, passa como um estremecimento de vento a vibração do mito
O mito é a parte escondida de cada história, a parte subterrânea, a zona ainda não explorada, porque ainda faltam as palavras para chegar até lá... O mito vive de silêncio mais do que de palavras. Um mito calado faz sentir sua presença na narrativa profana, nas palavras cotidianas, é um vazio de linguagem que aspira as palavras para um vórtice e dá à fábula uma forma.
Mas o que é um vazio de linguagem senão os rastros de um tabu, da proibição de falar alguma coisa, de pronunciar certos nomes, de uma interdição atual ou antiga? A literatura segue itinerários que margeiam e ultrapassam as barreiras das interdições, que permitem dizer aquilo que não podia ser dito, a um inventar que é sempre re-inventar de palavras e histórias que haviam sido removidas da memória coletiva e individual. Por este motivo, o mito age sobre a fábula como uma força repetitiva, obriga-a a voltar seus passos mesmo quando ela se perde por caminhos que parecem conduzi-la para regiões inteiramente diversas.
O inconsciente é o mar do indizível, do que foi expulso da linguagem, abandonado por causa de antigas proibições. O inconsciente fala – nos sonhos, nos lapsos, nas associações instantâneas – por meio de palavras emprestadas, símbolos roubados, contrabandos lingüisticos, enquanto a literatura não recupera estes territórios e os anexa à linguagem da vigília.
A linha de força da literatura moderna está na consciência de dar a palavra para tudo isto que no inconsciente social ou individual permaneceu não-dito: este é o desafio que ela renova continuamente".
Italo Calvino.
labirintos...
domingo, 19 de setembro de 2010
esquerda direita...
Hoje eu também não o esperava. Outra vez invadiu meu quarto, fico impressionada com a capacidade dele de invadir, entrar sem pedir licença, e porque não fico com raiva? Ele atravessou a casa toda sem notar a bagunça, foi direto para o meu quarto e se deitou na minha cama, jovial, brincalhão, homem-menino. Quantas vezes já esteve ali? Perco a conta. Ainda continua? Foi embora e voltou? Não consigo precisar, sei apenas que ele trouxe seu gatinho amuleto, uma espécie de chaveiro que piscava os olhos quando eu o olhava. Na minha cama, esparramado, instalou seu programa de joguinhos no meu computador e criou um jogo de perseguição. Acho que gosto da sua invasão, mas me angustiam seus jogos de perseguição, ele me conforta, sentimentos complexos, não consigo explicar, uma confusão de desejos que só se resolvem quando me aproximo dele, me deito ao seu lado, espero suas caricias, ele continua a jogar, me ignora, depois me acaricia as pernas suavemente e me ensina um percurso dentro do jogo pra escapar. Não consigo escapar. É um homem que toma conta da minha cama com seu corpo imenso, um homem grande e bonito e intruso, que invade meus sentidos. E tem uma mania de menino. Sinto prazer em estar ao seu lado. Sinto que ele sempre esteve aqui, em mim. Mas não o conheço nem menos. Não sei seu nome, não sei quantos anos tem, é menino algumas vezes, e outras, é tão senhor de mim.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
bibliotecas...
